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Mudar alguém no relacionamento amoroso não funciona

Fred Mattos

23/11/2017 08h00

Não fique lutando contra uma parede (Foto: iStock)

 

Não é raro encontrar pessoas que se relacionam amorosamente com uma projeção mental do que imaginam que seria o parceiro ideal. Quando conhecem alguém, tomadas pelo furor da paixão, acabam colocando suas fantasias à frente da realidade. Na verdade, se relacionam com um projeto do que o outro se tornará e isso é causa de grandes catástrofes amorosas.

Não existe nada mais perigoso para a integridade de um relacionamento amoroso que esse tipo de agenda oculta afetiva. A pessoa amada não é aceita, tolerada, querida e acolhida como aquilo que é, mas por aquilo que está sendo moldada para ser. Esse desejo secreto de controle vai corroendo lentamente a base de confiança de uma relação e estrangulando o senso de autonomia e liberdade das partes.

Apostar que um relacionamento será possível na condição que uma pessoa mude o jeito de ser, pensar, sentir e agir pode incorrer uma cilada por dois motivos. Um, a pessoa precisa querer mudar e mais que querer mudar ter os recursos e motivação para tanto. O segundo é se uma mudança consistente é possível, afinal, mesmo com toda boa vontade do mundo certos traços de personalidade podem ser quase intransponíveis.

Infelizmente um mito pós-moderno que prega “basta você querer e tudo está ao seu alcance” criou no imaginário popular a fantasia que só não muda quem não quer. Outro problema é achar que o amor seria o combustível imbatível para certas mudanças de personalidade. O dilema é que essa necessidade de transformação costuma surgir num momento em que o próprio amor está fragilizado.

Pode parecer pessimista a segunda afirmação de que características de personalidade seriam irremovíveis, mas a realidade é que grande parte dos traços de personalidade e caráter foram resultados de adaptações ao ambiente familiar da infância precoce. A maioria delas foi forjada com ferro quente nas altas temperaturas do cuidado dos pais. Na própria terapia, como profissional da Psicologia, preciso ter muito claro quais são os limites e possibilidades de cada pessoa que atendo. E não sou eu que coloco um teto, mas no decorrer do processo a própria situação se revela intransponível, pelo momento, por minha incapacidade ou pela resistência daquele traço.

Fico imaginando se um traço seja tão problemático em alguém, quase patológico, poderia criar uma frustração tremenda para o casal. Mesmo com toda a boa vontade do mundo e esforço de reprimir uma ação ambos chegariam na conclusão que mesmo com todo o amor do mundo nenhuma mudança consistente seria possível sem que uma das partes ficasse sacrificada.

Isso significa que nenhuma mudança é possível? Pelo contrário, com a motivação certa, os recursos adequados, tempo, investimento de tempo, energia e uma vida muita coisa bonita pode submergir. Mas apostar todas as fichas sem nenhum preparo pode ser uma ingenuidade para muitos relacionamentos.

Sobre o autor

Sonhador nato, psicólogo provocador, autor dos livros “Relacionamento para Leigos” e “Como se Libertar do Ex”. Adora ouvir histórias de vida, cultivar a felicidade, se aconchegar nos braços de Juliana e criar a filha Nina.

Sobre o blog

Relacionamentos amorosos com um toque de psicologia, cotidiano, provocação e brincando entre o ideal e a vida possível.

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